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Esteve recentemente entre nós e proferiu uma conferência na Universidade Católica (22.10.1998) o Fr. Paul Marx, OSB (beneditino), norte-americano, fundador e até há poucos meses presidente da Human Life International (HLI).
Fr. Paul Marx (que "não tem nada a ver com o Karl, exceto o fato de ambos descenderem de Adão e Eva"...) trabalhou em 84 países e enviou material pró-vida para 111 países.
Nascido em 8 de Maio de 1920, o penúltimo de catorze irmãos, foi ordenado em 1947, na abadia beneditina de S. João, no estado do Minnesota, E.U.A.. É doutorado em sociologia da família, tendo estudado também em Harvard.
Ensinou os métodos naturais de planejamento familiar ("natural family planning" ou NFP) a dezenas de milhares de casais. É um tenaz opositor do aborto, eutanásia, etc. desde há 40 anos.
Fr. Paul Marx sustenta que a mentalidade contraceptiva está na raiz da situação que se vive na velha Europa, onde a taxa de natalidade desceu tanto que não é suficiente para a substituição das gerações (exceto em Malta e na Albânia). A Europa está a morrer, e o resto do mundo pode seguir o mesmo caminho.
Os sistemas de segurança social entram em falência, uma vez que as contribuições da população ativa não bastam para pagar as pensões aos reformados, que se tornam mais numerosos que os trabalhadores. O aumento do número dos idosos incita à liberalização da eutanásia.
As grandes batalhas de Fr. Paul Marx e da HLI movem-se contra as organizações internacionais defensoras do aborto e da mentalidade contraceptiva: sobretudo a Associação de Planejamento Familiar (APF, da International Planned Parenthood, com sede em Londres, existindo delegação em Portugal), que desenvolve nomeadamente ações de educação sexual permissiva nas escolas públicas, com o apoio dos governos. Mas rema também contra as correntes anti-natalistas das Nações Unidas e suas agências especializadas: Fundo das Nações Unidas para a População, Organização Mundial de Saúde e até a própria UNICEF. Estas organizações propagandeiam o aborto e os meios contraceptivos em nome dos "direitos reprodutivos" e da saúde sexual, negligenciando o fato de esses valores conduzirem ao incremento das doenças venéreas, da SIDA, à destruição da juventude e das famílias.
Fr. Paul Marx advoga o ensino do planejamento familiar natural em todos os cursos de preparação para o matrimônio, inclusivamente como pré-requisito para o casamento católico. Lembra aos sacerdotes e aos leigos em geral que devem defender ativamente a doutrina da Igreja em matéria de contracepção, mesmo contra a mentalidade dominante, e sem medo da oposição que possam encontrar.
A encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI foi escrita há 30 anos e as suas previsões confirmam-se: a prática da contracepção faz descer o nível da moralidade, leva o homens e mulheres a olharem-se como objetos, e é uma arma nas mãos dos governos, que ditam aos casais quantos filhos devem ter (veja-se por exemplo a política do filho único da China). Quanto à tão falada "sobrepopulação" do planeta, Fr. Paul Marx refere que é um mito, que são produzidos no mundo alimentos e há espaço mais do que suficientes para toda a população mundial, presente e futura. A Nigéria, por exemplo, se tivesse uma agricultura bem gerida, poderia alimentar toda a África. "Sobrepopulação" é sinônimo de pobreza, de escassez de recursos em relação ao número de necessitados, que não se combate matando as pessoas, pobres ou não, mas sim dando-lhes os meios de sobrevivência, que existem, na realidade.
Margarida Brito Correia