Os Primeiros Milagres

Os Primeiros Milagres

A Pesca Milagrosa

No final do século XVII, o vale do rio Paraíba fazia parte do roteiro na circulação entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em função do ciclo do ouro, o comércio entre os povoados da região era intenso, a população aumentava significativamente e a metrópole viu-se obrigada a tomar providências quanto à administração regional. Para tanto, foi nomeado um governador que ficaria sediado na região onde hoje se localiza a cidade de Guaratinguetá. Foi, então, organizada uma recepção para o novo governador, com a ajuda da população local, incluindo os pescadores, que ficaram encarregados de colaborar na alimentação dos convidados.

Entre os pescadores estavam Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso. Percorreram o rio Paraíba, sem pescar peixe algum, até que João Alves lançando sua rede, retirou o corpo, sem cabeça, de uma imagem de Nossa Senhora. Recolheu-a, lançou a rede novamente e encontrou a cabeça da pequena imagem. Guardou o achado dentro de um pano e continuou a pescaria.

A partir desse momento, os três pescadores, que até então nada haviam pescado, foram surpreendidos por uma enorme quantidade de peixes.

O relato data de 1745, mas o mais provável é que o fato tenha ocorrido em outubro de 1717.

 

Multiplicam-se os Prodígios

Filipe Pedroso colou a cabeça ao corpo e conservou a imagem consigo durante 9 anos. Deu-a depois a seu filho, Athanazio Pedroso, que lhe construiu um oratório onde todos os sábados a vizinhança se reunia para as preces. A partir de então, as famílias começaram a chamar a santa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, já que ela havia aparecido no rio.

Durante uma dessas reuniões de oração, as velas se apagaram sem motivo e uma das pessoas presentes se levantou para reacendê-las. Ao chegar perto, entretanto, para espanto e admiração de todos, as velas se iluminaram sozinhas. Esse é considerado o primeiro prodígio realizado por Nossa Senhora Aparecida.

 

O Escravo Fugitivo

Outro caso foi o do escravo fugitivo que, ao ser reconduzido ao dono, rezou diante da imagem e durante a oração caiu-lhe a corrente que tinha ao pescoço. O escravo foi libertado por seu patrão, que ficou tocado pelo milagre.

Como o oratório se encontrava em local de passagem, esses prodígios logo se espalharam por toda a região, trazendo um número crescente de fiéis. A capelinha de Itaguassu se tornou pequena e já não comportava tantos devotos! Em 1743, foi dirigida uma petição ao bispo do Rio de Janeiro, para que se construísse uma capela com o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. E assim, a imagem foi transportada para o morro dos Coqueiros, onde nasceria o povoado e o santuário de Aparecida.

 

A libertação das dores, da escravidão e da fome

No caso de Nossa Senhora Aparecida, não nos deparamos com uma aparição como a que ocorreu em Fátima ou em Lourdes, por exemplo. Entretanto, a maneira como apareceu no rio, entre pescadores pobres, bem como os prodígios realizados, lembram uma aparição silenciosa na qual a Virgem “fala e se expressa”sem necessidade de pronunciar uma só palavra. Os prodígios realizados mostraram claramente que Nossa Senhora ali estava para proteger e ajudar os pobres e os oprimidos.