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Ave-Maria
(Raimundo Corrêa)
Ave-Maria! Enquanto nas Campinas
As boas-noites abrem, misteriosas
Bocas exalam no ar frases divinas
Como suave emanação de rosas...
Ó noivas do infortúnio lacrimosas,
Crianças loiras, mórbidas meninas,
Órfãs de lar e beijos, que piedosas,
Erguei aos céus as magras mãos franzinas!
Quando rezais, às horas do sol posto,
A Ave-Maria, assim, no azul parece
Sorrir-se a Virgem-Mãe dos desvalidos;
Nossa Senhora inclina um pouco o rosto
Para escutar melhor tão meiga prece,
Hino tão doce e grato aos seus ouvidos.